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quinta-feira, 17 de junho de 2010

Paisagem sem cor



Paisagem sem cor
(Bil-Rait "Buchecha" e Nina Rosa)


Morena fala pra mim
O que eu te fiz pra ser tratado assim
Morena porque deixou
Sem teu amor o nosso bangalô 
Ontem abria a janela, a paisagem tão bela perdeu toda a cor
Triste, disforme e vazia, não tem a poesia que você pintou
Eu que te ofertava flores hoje’arco com as dores que mesmo plantei
Por não cumprir o que a ti jurei 
Morena fala pra mim
O que eu te fiz pra ser tratado assim
Morena porque deixou
Sem teu amor o nosso bangalô 
Ao chegar em nosso quarto ainda vejo o marco da nossa paixão
Aquela fotografia tirada no dia de nossa união
Que zomba, dilacera e ronda as lembranças gravadas por minha retina
Volte logo ao nosso lar, menina

quarta-feira, 16 de junho de 2010

Anunciação




Quero
Um verso simples, sem palavras
Peço
Perdão pelo inusitado mote
Espero fazer a canção
Que espelhe todo sentimento
E afaste essa triste tormenta
Tenho
Mil coisas para te dizer mas calo
Diante da tua presença embalo
Sentimentos doces, pois sábios
São os que falam verdades
Sem medos, dor ou maldade
Sonho
Um dia poder te encontrar na praça
E a festa vai se espalhar pro mundo
Numa chuva de emoção e graça
Trazendo de volta o orgulho à raça
Anunciando a estação
Onde saltará a ilusão

Sigo
Pois com toda convicção
Confio
Em nosso poder de gerar
Sonhos, praças, sentimentos
Graças, orgulhos, canções
Sem medo vamos abraçar
O amor

Vejo
Um novo dia nascer
Espero
Que seja melhor que o ontem
Peço
Que o amanhã venha melhor
Que a manhã do dia de hoje
E é por isso que eu digo... 

Quero
Um verso simples, sem palavras
Peço
Perdão pelo inusitado mote
Espero fazer a canção
Que espelhe todo sentimento
E afaste essa triste tormenta
Sem medo vamos abraçar o AMOR
Sem medo vamos abraçar o AMOR
Sem medo vamos abraçar o AMOR
Sem medo vamos abraçar o AMOR

(Alexandre Magno e Bil-Rait "Buchecha")

Aquela sereia

Meu pensamento mareia
Corro os dedos na viola
Quem é aquela sereia?
Porque ela não me namora?
Me levanto e vou pro mar
Contemplar a lua cheia
Quem é aquela sereia?
Onde está o seu cantar?

Já perguntei pra João
Já procurei em alto mar
Já pesquisei nesse chão
Por onde ela andará?
Corra lá e diga a ela
Que não sou um pescador
Diga que lhe gosto muito
E só quero seu amor

Lua nova que vem lá
Olho grande que alumeia
Quem é aquela sereia?
Que num sei aonde esta
Lua nova e lua cheia
Só me deixaram minguante
Quem é aquela sereia?
Me parece tão distante

Já perguntei pra João
Já procurei em alto mar
Já pesquisei nesse chão
Por onde ela andará?
Corra lá e diga a ela
Que lhe fiz uma canção
Só queria que ela ouvisse
Pra dizer se gosta ou não

Meu pensamento mareia
Corro os dedos na viola
Quem é aquela sereia?
Porque ela não me namora?
Lua me deixou crescente
Sempre irei lhe cortejar
Quem é aquela sereia?
Que vêm vindo me encontrar

Agradeci a João
Que tentou me ajudar
Mas foi a lua crescente
Que fez a sereia voltar
Obrigado oh bela lua
Foi você quem me guiou
Hoje vivo tão contente
Ao lado de meu amor

(Marcos Tannuri e Bil-Rait "Buchecha")

Velhos tempos

Eu sou do tempo do caldo de cana
No copo de papel
Da feira que vendia pato
Mico no laço e biscoito a granel
Tempo não muito distante
Mas parece que em instantes o tempo passou
Tempo que se foi com o tempo
E dos tempos idos saudades deixou

Vai longe o tempo em que casa
Era iluminada a luz de lampião
Já faz muito tempo que o homem
Pra ser valente brigava na mão
No tempo real da folia
A corda isolava o bloco de rua
Faz tempo que o apaixonado
Não faz serenata sob a luz da lua

REFRÃO

Faz tempo que a gente não vê
Um malandro de linho com um bom bicolor
Há tempos não se ouve na praça
Palavras concretas de real valor
Há tempos papai me contava
Sobre as peripécias do velho vovô
Tempos que marcam lembrança
Pra mim são heranças que o tempo deixou

REFRÃO

(Bil-Rait "Buchecha" e Vantuir)

Retrato cantado com Noel

Sentado a mesma mesa, de cabeça baixa
Como quem pensa, vejo-te vivo
Como quem compõe um último samba
Samba que jamais será ouvido (bis)
Pernas cruzadas, vestindo um terno
Na mão esquerda, o cigarro eterno
Do lado direito a saideira
Servida em sua morada derradeira
Hoje sou eu, que componho entristecido
Por não viver em seu tempo
E não tê-lo conhecido

Fecho os meus olhos, penso em ti
E num devaneio bom até consigo lhe ouvir
Fecho os meus olhos, penso em ti
E num devaneio bom até consigo lhe ouvir

Ora meu rapaz pensas que não
Mas sentado aqui também o vejo
E se minha imagem lhe provoca inspiração
Este é meu último desejo
Estou   feliz,   por estar aqui
Como símbolo, plantado onde nasci
Gerando frutos a cada alvorecer
Perpetuado, bem fiz por merecer
Colhendo admiração e lealdade
Me leve junto a ti, e me dê continuidade

(Bil-Rait "Buchecha" e Nina Rosa)

Quero viver sonhando - xote



Mas que menina é essa que revira minha cabeça
Quando passa pela praça causa um arrepio geral
Cintura fina com uma pele de canela
E um rebolado que sacode o pensar do pessoal
Meu Deus do céu, mas que rara beleza
Ela é tudo que faltava para minha vida
Infelizmente não nasci na realeza
Tenho casa de reboco e na mesa pouca comida
Quando vem a bela lua deito em minha rede
Fecho meu zóio e sonho um sonho bom
A tal menina deita em minha cama
Sussurrando em meu ouvido que quer ser minha mainha
Vamos suando com a troca de carícias
Dançando o nosso xote bem até de manhãzinha
E chega o sol dando tapa em meu rosto
Quase morro de desgosto, pois foi tudo uma ilusão
A tal menina nem sequer deitou comigo
Fiquei tão desiludido quando acordei no chão
Amigo sol não faça isso comigo
Prefiro viver sonhando
Não quero acordar mais não

(Bil-Rait "Buchecha")

Quando a gente se estranha

Sei lá, o que acontece
Quando a gente se estranha
A infelicidade dentro de mim
Ganha tamanha proporção
Amor, faz isso não
Abaixe o escudo que envolve o coração
Embainhe a espada que nos fere o sentimento
Vem pra perto, vem sem medo
Pois sou eu quem está aqui a lhe pedir
Não acelere para o fim
O que pra nós foi bom começo
Agindo assim vamos pagar um alto preço
Só precisamos de uma chance
Para reatar os nós
Se houver revanche
O sentimento certamente perde a voz
Não devemos deixar calar o nosso amor
E nem alimentar a fome do rancor
Assim sofre você e eu sofro também
Distantes não sei nem o que será
Sei lá

(Bil-Rait "Buchecha" e Vantuir)

Ponto de encanto

Ôôôôaê, ôôôôaê, ôôôôô, ôôôôô
Disse adeus pra Nanã quando partiu
Disse adeus pra Nanã quando partiu
Foi prum canto e um canto não bastou
Catar nos oito cantos precisou
Pra num ponto de encanto descansar
Abaô, Papai, encontrou seu lar
Nos braços de Iemanjá
Nos braços de Iemanjá

Xapanã os caminhos vai limpar
Xapanã os caminhos vai limpar
Orixá que fez chagas e curou
Com seu xaxará, o egum espantou
Rei da terra, opanijé dançou
Em todos os terreiros que baixou
Ôôôôô, ôôôôô

E voltou
Em sua aldeia o xirê avistou
Balançou
No centro da roda o amor lhe soprou
Mas o fado mais forte lhe marcou
Iansã foi pros braços de xangô
Pedra desencantada, eparrei
E o velho voltou pro seu ilê
Ôôôôaê, Ôôôôaê

É na palha de Omolu que eu vou
É na palha de Omolu que eu vou
Pra tirar as pragas desse andar
É o encontro da terra com o mar
Cambará, Xaxará, guiné, dendê
Xapanã, atotó, obuluaê
Ô Ôbaluaê, Ô Ôbaluaê

(Bil-Rait "Buchecha", Alexandre Magno e Rafael Maieiro)

Poesia Barata







Entra num bar qualquer
No vazio do olhar, o descaso
No meio de tantos outros
Me fita, me escolhe
Me compra barato
Me pega entre os dedos
Me envolve em teus lábios
Acende meu corpo

 
E eu queimo calado
Então traga minh’alma
E me expulsa de si
Me deixa em descanso
E se esquece de mim
Depois...
Entre um gole e outro
Me consome de novo
E me sinto acabado

 

Novamente deixado de lado
E num último toque
A esperança me agarro
Logo o apego se esvai, me pisa e me apaga
Como se eu fosse um cigarro

(Bil-Rait "Buchecha" e Nina Rosa)

Perdas em ganhos - Dueto





Ah, esse meu coração tão devastador
Só causa a dor a quem me ama
Ah, se eu fosse mais forte e me pudesse opor
Ao conquistador de tantas camas
Eu juro
Não te faria sofrer
Com eterna desventura de cozer
Minhas linhas derramadas no prazer
Te levaria mulher ao interior do meu viver
E te faria mulher peça única do meu querer

Ai, esse teu coração tão devastador
Só traz a dor a quem te ama
Se eu tivesse mais sorte e pudesse supor
Não conquistarias tais tantas damas
Não jures
O que não podes cumprir
Basta de tentar se redimir
Agora que em tuas linhas te enrolaste
Vem deitar-te em minha cama com um amor que já não arde
Um homem que não sabe dar valor
Pode entregar a mulher às conquistas de um novo amor

(Bil-Rait "Buchecha" e Rafael Maieiro)