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terça-feira, 15 de junho de 2010

Infeliz foi a proposta - Samba de Breque - Dueto





Convidei aquela nega que eu amava pra cantar meu samba
Que infeliz foi a proposta e na resposta ela nem me deu bola

- Só canto sambas do Cartola

Mas caro amigo sou teimoso, não desisto e pus-me a insistir (E disse assim)
Pelo menos uma parte da cantata você há de ouvir
Pois em meu samba fui sincero, cuidadoso e escrevi sozinho
Usei palavras de bom grado e melodia feita com carinho

- Prefiro Nelson Cavaquinho
- Não cuspa assim no meu ofício
- Sou mais os sambas do Vinícius

Deixa de bossa que Vinícius nunca fez uma canção pra ti
Não faça caso, pelo contrário faça boca de siri
Que é pra ninguém lhe ouvir
Pois quando eu fizer sucesso e o povo aplaudir
Vão diz por aí que você fazia pouco da atração principal do país

- E esse vai ser um belo troco
- Todo mundo a pedir bis, e não adianta reclamar se foi você quem não me quis

Vamos voltar a realidade, você não é nenhum João Nogueira
Só vive compondo besteira, e se achando o tal
Não leve a mal, mas eu prefiro o Geraldo Pereira

- CHEGA!!! (e o Morengueira da Silveira)

Deixa pra lá, vou dar meu samba pra outra cantar
Quem sabe um dia ela o grave, e vai que caia no gosto popular

- Será que você vai gostar?
- Ah, deixa disso meu neguinho!
- É só pedir com mais carinho!
- Sabe que já estou até achando esse samba bonitinho!

(Bil-Rait "Buchecha" e Marcos Tannuri)

Velho amigo

Velho amigo eu preciso te falar
De umas coisas sobre as quais não vai gostar
Todavia, a verdade é pra ser dita
Como amigo é pra essas coisas
Sou quem vai te contar

Cuidei de tudo, como você me incumbiu
Cuidei da Rosa e até dos discos de vinil
Cuidei das contas e até da cama que quebrou
Tratei de tudo referente ao seu amor

De tudo acontece nesse mundo
E algo me aconteceu
A Rosa em meu peito também floresceu
Descolorando seu belo jardim
Amigo é pra contar, amigo é pra cuidar
Amigo, não se pode enganar

(Bil-Rait "Buchecha" e Gaio de Lima)

Dona do boêmio






Compositores: Bil-Rait "Buchecha" e Paulo Henrique "PH"


Sei...
Que sabes bem como eu sou
Sinto...
Já não sei mais quem tu és
Sabes...
Que preciso da alvorada
Que preciso da boemia
Pra manter-me aos teus pés
Não entendo
Se o que antes foi perfeito
Hoje é meu pior defeito
Não era este teu papel
Lamento
Mas agora que está feito
Não és mais a companheira
Que um dia pedi aos céus

Tentou ser dona
Mas deu golpe errado, viu
É uma pena, mas é o fim
Saiba que a dona do boêmio
Na imensidão da noite
É a lua que olha por mim

Meu Papel



Compositores: Bil-Rait "Buchecha" e Paulo Henrique "PH"


Quanto tempo não te vejo
E no meu corpo o desejo
De novamente te olhar

E sentir o desafio
De preencher teu vazio
E nas palavras acertar
Por em ti a emoção
Perpetuar toda visão
Que só eu tenho do mundo
Faço a ti uma menção
Que quem sabe em canção
Possa ser o meu futuro

Guarde bem o meu segredo
Que em momento certo, sem medo
Para o povo irei mostrar

Claro, calado e fiel
Te escrevo em teu corpo
Assim cumpro meu papel

Um amigo, a Deus

Não vou dizer adeus
Palavra que simboliza o fim
Temida por quem ama
Maldita pra quem declama
O adeus traz o choro, traz a dor
Remete a partida, a saudade que não finda
Dizemos adeus pra o que não gostamos mais
Para quem não amamos mais
Não digo adeus a ti
Pois continuas aqui
Nas nossas lembranças
Em nossos sambas
Na poesia que não te ofereci em vida
Mas que te mantém presente após a ida
E por isso meu amigo
Te entrego a Deus
Mas não digo adeus

(Bil-Rait "Buchecha")

Último Ato

De nada adianta ensaiar conversas
Já não adiantam promessas
Se tudo não passou de uma peça
Encenada por sua mentira
Contracenando com a minha paciência
Sem nenhuma audiência
Um fracasso de bilheteria
De que valeu todo o palco iluminado
Se quando eu subi ao tablado
Por você fui censurado
Não valeu meu empenho até o final
Se fui só um figurante
E não o ator principal

Agora é tarde, as cortinas se fecharam
Todas as luzes se apagaram
E ninguém a aplaudiu
E aquele amor que era promessa de sucesso
Não bancou todo o processo
Saiu de cena e sucumbiu

(Bil-Rait "Buchecha")

PERDA

No momento que chegas, em segundos parto
Como que sentindo a dor de um parto
Como que sentindo a agonia
Que pus em minha vida noutro dia
Dia que a ti me recusei, dia em que choras-te e chorei
Chorei por me sentir incapaz
Parto, pois me negar a ti, não posso mais
Não posso mais esconder meu sentimento
Não posso mais, pois ferida estou por dentro
Errei contigo, abandonei o amor maior
Errei comigo, sei que mereço viver só
Te vejo hoje reconstruído, tão seguro e cheio de luz
E eu perdida, desamparada por não cumprir o que propus
Me dói só de pensar que existe outra mulher
Pensar em ver-te nos braços de uma qualquer
Qualquer dia desses, me visto de coragem
Tiro o salto alto e me calço de humildade
Para caminhar até você, olhar em seus olhos e dizer
Que ainda faz pulsar tudo aqui dentro
Que ainda durmo contigo
E acordo molhada de suor e pensamento

(Bil-Rait "Buchecha")

BRASIL, CEMITÉRIO DE ESPERANÇAS

- Dizem que as crianças são a esperança do País

Aqui jazem esperanças que tiveram um fim amargo pelas balas da vingança
Toda bala perdida encontra uma esperança
Esperanças que se vão e ficam na lembrança
Esperança perdida no Metrô, no ônibus, na faculdade
Arrastada pelo chão, deixa o rastro de sangue e crueldade
Esperança que sai morta do berçário
Sem direito ao primeiro aniversário
Esperanças raptadas, esperanças no puteiro
Esperanças humilhadas em troca de dinheiro
Esperança analfabeta, esperança no sinal
Esperança sem futuro, esperança marginal
Que crescendo nesse mundo, passa a se chamar vingança
Dona da bala perdida que achará outra esperança
Vingança passou fome, foi estuprada e espancada
Vingança dormiu na rua, no chão frio, na calçada
Vingança é mais um avião que não decola
Viaja no escuro e segue a rota pela cola
Vingança foi pro morro, se armou, achou saída
Vingança está drogada, caminhando pra partida
E partindo desse mundo não deixará boa lembrança
Aqui jaz vingança que um dia foi criança
E perdeu cedo a esperança

- E ainda dizem que a esperança é a última que morre!!!


(Bil-Rait "Buchecha")